Sejam bem vindos ao ler é saber

Boa tarde a todos os amantes da boa leitura, e a todos que um dia pegaram um livros e disseram ai que saco...
Bom este blogger foi criado para estas pessoas que não tem ou não gostam de ler, ou dizem que não tem tempo.
Ai vai uma canja de uma boa leitura!

Ao ler este conto foi possível ver a cena clara e transparente, a forma em que o autor descreve de maneira milimétrica seus personagens e suas características como uma terrível veracidade.
Arthur de Azevedo escancara quando denuncia de forma acida de sutil a pobreza lexical que assola nosso pais, (isso em 1897).
Esta mesma pobreza continua assolar nosso pais na forma da informação rápida e não compreendida, o resultado disso são os chamados analfabetos funcionais.


Plebiscito

A cena passa-se em 1890.

A família está toda reunida na sala de jantar.

O senhor Rodrigues palita os dentes, repimpado numa cadeira de balanço. Acabou de comer como um abade.

Dona Bernardina, sua esposa, está muito entretida a limpar a gaiola de um canário belga.

Os pequenos são dois, um menino e uma menina. Ela distrai-se a olhar para o canário. Ele, encostado à mesa, os pés cruzados, lê com muita atenção uma das nossas folhas diárias.

Silêncio

De repente, o menino levanta a cabeça e pergunta:

— Papai, que é plebiscito?

O senhor Rodrigues fecha os olhos imediatamente para fingir que dorme.

O pequeno insiste:

— Papai?

Pausa:

— Papai?

Dona Bernardina intervém:

— Ó seu Rodrigues, Manduca está lhe chamando. Não durma depois do jantar, que lhe faz mal.

O senhor Rodrigues não tem remédio senão abrir os olhos.

— Que é? que desejam vocês?

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